AC [ Génesis ] 99

Abril13

miau

Por vezes, faz bem recordar aquele passado que nos projectou para o presente e nos sustenta a evolução no futuro. Foi com alguma surpresa que descobri três antigos sites meus, inactivos há vários anos mas que nem por isso a SAPO os apagou. Não aparecem em nenhum motor de pesquisa, não devem ter uma visita há imenso tempo, mas representam um Génesis.

Esta é a minha história como webmaster.

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AC [ Agora, em silêncio ] 99

Fevereiro21

Agora, em silêncio, dá-se início ao meu prime time. São 2h34 da madrugada, estrago os olhos com a luz directa do ecran do portátil, que é a única fonte de luz à minha volta. Tudo escuro e tudo agradavelmente calmo, apenas os gerbos no outro quarto continuam activos, mas daqui mal se ouvem. Estou instalado na cama, meio deitado meio sentado, com uma manta de aquecimento por baixo dos lençóis e uma televisão à minha frente pronta a ser ligada, pronta a mostrar-me as séries, os filmes e os documentários que a box vão gravando dia e noite. Agora, em silêncio, o mundo é mais meu do que nunca. Ler mais »

AC [ Legião ] 99

Janeiro26

Eles rodeiam-nos. Não é necessário ter medo, eles é que nos temem profundamente, assim como temem qualquer grão de areia arrastado pelo vento, ou o cair de uma folha de Outono. Vivem num mundo dominado pelo preto e pelo branco, negro o ambiente e brancas as suas faces, desprovidas de sentimentos positivos, onde reina a angústia, a tristeza, a desmotivação e a cobardia profunda.

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AC [ Vai, bardo ] 99

Dezembro2

O horizonte chora pela madrugada
Anunciando a grande derrota
A passagem pela mais pequena porta
O Shabbath da alma quebrada

Vai bardo, e escreve!
Que ao Sétimo Dia ele partiu
De cachecol e luvas negras
Uma viagem longa, mas tão curta
Enfrentando todos os monstros
Desafiando tanto o bem como o mal
Com um poder que move estrelas:
A capacidade inata para vencer

O lobo surgiu de surpresa
No meio do frio cortante
E com um semblante entusiasmante
Criou o clima da incerteza
Não havia predador e presa
Apenas a visão apavorante
De um mau final anunciante

Vai bardo, e recita!
Que nem todo o lobo é feroz
(E que nem toda a luz é pura)
Que somos autores do nosso destino
E que a rima mais perfeita
Está nas nossas mãos á espreita
Na magia do espírito natalino

Termina o dia, termina a viagem
Um alvo não atingido
Um objectivo não conseguido;
O horizonte chora de novo
E na névoa formam-se fantasmas
Amaldiçoando os deuses do povo
A perda previsível da batalha
Decidida antes do próprio começo
Perante as melodias de Baco

Vai bardo, e canta!
Que a rima mais perfeita não foi usada,
Que a palavra mais importante não foi proferida,
Que a melodia mágica não foi cantada,
Que a perda foi consentida,
Que as estrelas não se moveram,
E que revolução do mundo inteiro
(Ou apenas de duas almas)
Ficou pela folha de velino

Mas vai, bardo, e simplesmente diz-lhes
Que no fim da história venci.

Carlos Gandra


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